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Número 8 | Nov 2011 - Abr 2012 | Belo Horizonte/MG



Matérias

Tribunal do Júri

Jornalistas transformam os julgamentos em espetáculos?


Wilson Menezes

Tribunais do júri com pessoas conhecidas têm ampla cobertura da imprensa
(Foto: Marcelo Albert)

Quando são levados a júri popular crimes que causam grande comoção nacional, como o praticado pelo borracheiro que matou a ex-companheira, uma cabeleireira, a morte do promotor de Justiça em plena avenida Prudente de Morais, em Belo Horizonte, ou o assassinato do casal Richthofen, o país volta sua atenção ao julgamento do caso. Será que as pessoas são induzidas pela cobertura excessiva da mídia a condenar antecipadamente os acusados?

O jornalista Alberto Dines, do site Observatório da Imprensa, acredita que nesses casos a excessiva publitização interfere no resultado do julgamento. “Será possível encontrar um jurado que não tenha uma opinião formada sobre um caso virado e revirado com tamanha intensidade por autoridades, especialistas e até a mídia? Mais importante ainda: o juiz togado que presidirá o júri terá condições de resistir às pressões produzidas por tamanha exposição? É evidente que para se fazer justiça é indispensável o respeito a certos ritos e talvez o mais importante seja o do sigilo. A confusão, o barulho e o circo só favorecem aqueles que não desejam um julgamento correto e justo. Justo e definitivo.”

Nesse sentido, o advogado Ailton Henrique Dias também defende que a mídia exerce forte influência sobre a opinião pública. “A imprensa possui o poder de absolver ou condenar previamente um réu e, com isso, influenciar no convencimento dos jurados, bem como na atuação da acusação e da defesa em plenário. O chamado pré-julgamento realizado pela imprensa pode induzir e levar a grandes erros judiciários.”

Para o advogado, a luta pela liberdade de imprensa não autoriza um jornalista a apontar uma câmera para um determinado suspeito de um crime e chamá-lo de “bandido”, “monstro” ou “marginal”. Ele defende que todos os jornalistas deveriam entender que trabalham em órgãos formadores de opinião e que as palavras deles ecoam e podem provocar entendimentos divorciados da realidade. “Curiosamente constata-se um verdadeiro paradoxo nesses embates: a imprensa cobra ética da sociedade e de seus atores de maneira implacável; contudo, pressionada pela necessidade de furo e pelo frenesi crescente das campanhas, guarda pouca ou nenhuma ética em sua conduta.”

A imprensa possui o poder de absolver ou condenar previamente um réu (Foto: Marcelo Albert)

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